Egito: a terra das histórias milenares por Gabriela Castro

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A viagem ao Egito foi uma quase indescritível, uma mistura de sensações, surpresas, uma incrível aula de história. Com mais duas amigas, Karla e Paula, colocarmos os pés nas ruas empoeiradas das cidades do Egito e sentimos na pele as diferenças culturais de país muçulmano, conservador e reprimido.

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O trio, Karla, eu e Paula

Chegamos de madrugada, ficamos no Mena House Hotel, em Gizé, uma cidade grudada com o Cairo e onde ficam as pirâmides. Quando acordei no outro dia e abri a janela e dei de cara com as pirâmides, jamais esquecerei! Meu coração saltou, eu gritei de felicidade, tive a sensação que estava lá na oitava série nas aulas de história! Sério, não dá retratar a dimensão do negócio, por mais que eu tente!

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Hábito do chá é muito forte curtindo o por do sol no Mena House Hotel

Fiquei assustada no primeiro dia no Cairo, a capital do Egito, são 25 milhões de habitantes: cidade feia e empoeirada, muita buzina, trânsito caótico, sujeira, pobreza, poluição, obras paralisadas, tudo fugia do padrão de beleza que estava acostumada, mas de mente aberta, me permiti enxergar o Cairo com outros olhos. Quebrado o choque cultural me apaixonei por toda toda aquela loucura, por aquela gente carismática e amável.

Ruas empoeiradas do Cairo

Ruas empoeiradas do Cairo

As ruas foram esvaziadas de turistas após as manifestações de 2011 e dos atentados terroristas, pontos turísticos vazios e comerciantes desesperados para vender, chegam a nos cansar de tanta insistência, principalmente no incrível Khan El Khalili, mercado que tem cerca de 1000 anos, um dos must go!

No Khan toma-se chá, fuma narguile  e se faz boas compras, no momento, nossa moeda vale 2 vezes que a libra egípcia.

Mesmo com o Real valendo mais o turismo não está barato por lá, tudo é cobrado em dólar, gorjeta é algo inevitável e nós, mulheres, não podíamos nem dar uma volta sozinhas, o tempo inteiro estamos acompanhadas do guia, é um controle sem fim. Isso por causa dos sequestros para virar escrava sexual, eu que amo “bater perna” sem rumo muitas vezes me sentia sufocada.

É muito louco, quase todo mundo imagina as Pirâmides no meio do deserto, longe de tudo, mas não, elas estão grudadas na cidade, em 2007, até construíram um muro ao redor.

Fomos com o guia (óbvio!) para as Pirâmides e Esfinge (ahh essa é pequena, achei que fosse gigante), a van leva e circula com a gente lá dentro, primeiro fomos até os camelos para tirar fotos e dar um rolé, e esse maldito tentou me morder, ou me beijar, não sei, mas a foto explica meu pavor!

 

antes do camelo me atacar

Antes do camelo me atacar

 

Camelo safado

No momento do ataque

Depois passamos nas 3 pirâmides (Keops, Kefrene e Miquerinos), sempre uma delas fica fechada durante um ano, para conservação e reparos, entramos na Miquerinos, mais fácil, na outra tem que se rastejar… e não estávamos dispostas! Não pense que tem coisa lá dentro, não tem nada, nem o tumulo do faraó, ainda assim é emocionante, uma energia imensa, são 4 mil anos…

Fazendo amizade e entrando na pirâmide

Fazendo amizade e entrando na pirâmide

Museu do Cairo é outro must go, um dos museus mais interessantes que já fui, mesmo em condições desfavoráveis. Um novo museu do Cairo está sendo construído e bem estruturado.

As pessoas costumam me perguntar se senti medo e a resposta é não, nenhum momento me senti insegura, afinal nem roubo existe, as leis são extremamente severas. Em praticamente todo lugar, tem um policial com um cachorro super treinado que fareja todo o carro para detectar bomba e depois se passa num detector de metal e a bolsa vai para o raio x, é assim no aeroporto, hotéis, shopping.

Por do sol no Rio Nilo

Por do sol no Rio Nilo

Fizemos um passeio de barco no Rio Nilo, partindo de Aswan. Navegar pelas águas do Rio Nilo foi sensacional, mas mais legal ainda foi chegar em Luxor, cidade considerada com o maior museu de céu aberto do mundo. Em Luxor fica o Vale dos Reis, e debaixo do solo árido do deserto, num calor de 45 graus, fomos conhecer os restos mortais dos faraós, que é um gigante sítio arqueológico, ali que foi encontrada a múmia mais famosa: Tutancâmon.

Vale das Rainhas, Luxor

Vale das Rainhas, Luxor

 

Temperados variados na aldeia núbia, em Aswan

Temperados variados na aldeia núbia, em Aswan

Fomos também Templo de Hatshepstu (Vale das Rainhas) e o Templo de Karnak, ambos enormes, bem conservados e lindíssimos!

Fiquei impressionada que muita coisa foi descoberta poucos anos atrás, as escavações demoram anos e não param, sempre estão descobrindo algo novo soterrado, as pesquisas são contínuas.

Vale dos Reis em Luxor, vamos de trenzinho e lá não pode fotografar

Vale dos Reis em Luxor, vamos de trenzinho e lá não pode fotografar

Alexandria, a cidade, que já foi a capital do Egito por mil anos e fundada por Alexandre – O Grande, fica a cerca de 2 horas e meia do Cairo. Fomos de van com guia (óbvio!), numa estrada muito boa no meio do deserto. Fomos no Forte Qaitbey, a beira pelo mar mediterrâneo, onde era anteriormente o grande Farol de Alexandria (uma das sete maravilhas do mundo antigo), na famosa biblioteca de Alexandria, nas catacumbas Kom El Shoqafa e nos jardins do palácio.

Forte Qaitbey, onde tinha o Farol de Alexandria, no Mar mediterrâneo

Forte Qaitbey, onde tinha o Farol de Alexandria, no Mar mediterrâneo

Por fim, não esqueça: um bom “Shoukran” (obrigado em árabe) é sempre bem vindo pelos egípcios, aceitar tirar foto com eles também (pedem o tempo inteiro, é divertido me senti celebridade)! Senti falta de paquera e bebida alcoólica, que acontecem em outras viagens, mas isso não deixou a viagem menos divertida, apenas diferente e muito especial.

Em tempo, sou a Gabriela Castro, administradora, manezinha da Ilha e perdidamente apaixonada por viagens!