Olé: um mochilão pela Espanha, por Danila Bento

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O meu mochilão pela Espanha nasceu no Uruguay, sim, parece estranho mas foi no Uruguay que fiz dois grandes amigos espanhóis.

Eles assim como eu são mochileiros e me falaram maravilhas sobre as cidades que vivem e da Espanha em si. Os espanhóis são assim, acolhedores e apaixonados pelo seu país. Impossível não se encantar com a forma que descrevem sua terra natal.

Um deles me contou que a sua cidade era linda, cercada de montanhas e praias encantadoras. Um lugar que me pareceu muito distante, mas incrivelmente lindo, chamado Alicante.

A curiosidade aumentou ainda mais quando voltei a estudar espanhol, meu professor, que é nativo, também me contou mais maravilhas de uma certa terra alicantina.

Quando as minhas férias de 2016 foram marcadas, não tive dúvidas, contatei os dois amigos que prontamente me ajudaram a organizar a aventura.

O roteiro não poderia ter sido melhor, 15 dias e um pouco de cada sotaque, sabores e clima espanhol: Madrid, San Sebastian, Barcelona, Alicante e Granada.

Eu já havia estado em Madrid por 5 dias em 2015, mas voltar foi ainda melhor. Foi lá que superei  pequenos medos, como me perder ou não entender o idioma, lá aprendi a escolher o que comer com segurança.

Com a crise a opção taxi como locomoção nem passou pela minha cabeça, então eu de ex turista me tornei mochileira de verdade. Ônibus, trem, metrô, trechos a pé e caronas com amigos foram opções que essa mochileira usou, eu no caso! Até mapa usei, aliás, mapas!

Foi lá que tive o prazer de assistir um clássico de teatro e chorar sem ter vergonha, caminhar sem ter pressa por avenidas e praças, me perder dentro do museu do Prado. Comi tapas tapas tradicionais sem medo de ser feliz e sem medo da balança, esse sem dúvidas é um grade medo a ser superado!

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O meu amigo de Madrid, Néstor, decidiu viajar comigo para San Sebastian e Barcelona, e mais que isso, encontrou opções incríveis de hospedagem e transporte. Por isso sempre digo, que quem tem um bom amigo espanhol, tem tudo!

Ele encontrou no Airbnb opções muito seguras e baratas de hospedam. Para quem ainda não conhece, são quartos alugados por pessoas comuns a um preço tão barato quanto hostels. Em um deles tínhamos até café da manhã.

Viajar de carro fez a viagem ainda mais incrível, as estradas da Espanha são lindas. Daquelas que nos obrigam a parar para tirar fotos.

A medida que nos afastávamos de Madrid, em direção ao norte, as paisagens foram ficando mais verdes e as montanhas em um cinza indescritível.

A segunda cidade do mochilão, San Sebastian, também chamada de Donostria, fica na comunidade autônoma do País Basco, região entre a França e a Espanha.

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Donostia é uma cidade tranquila de clima ameno, de aproximadamente 186 mil pessoas, banhada pelo oceano Atlântico e cercada de montanhas. Famosa por sua gastronomia, arquitetura e pelo mistério em torno da origem do idioma basco.

Não há uma definição sobre a origem do seu idioma, e como não se assemelha a nenhum outro idioma gera teorias em torno de sua origem, que vai de países como Finlândia, África e Israel. A mais tradicional das teorias relata que foi criado na península Ibérica, antes da invasão romana.

Nestas ruas com nomes impronunciáveis, tive o prazer de iniciar o dia caminhando pela Praia de La Concha e terminar explorando o centro. Sentar em uma mesa de bar em uma das praças, que antes era palco para toradas e apenas observar a vida passar.

Mal caiu a noite e fomos experimentar o que faz de San Sebastian uma cidade famosa: a comida. Jantei no bar do Nestor com o meu amigo Nestor, o que nos garantiu um atendimento diferenciado! Brincadeiras a parte, comprovei realmente a comida na pequena cidade é inesquecível.

Ir a San Sebastian é esquecer da dieta mesmo, impossível resistir as vitrines de doces, pintxos, entrecotes ou sorvetes. Sim, eu comi muito de tudo e definitivamente não me arrependo. Faria de novo, depois a gente corre e dança!

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A próxima parada é o sonho de muitas etnias, Barcelona. Porém antes de chegar lá fomos surpreendidos com uma estrada de tirar o fôlego.

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Barcelona é tudo o eu falam e mais um pouco, uma grande metrópole com uma excelente qualidade de vida. É o tipo de lugar que se encontra todo tipo de nacionalidade convivendo harmoniosamente. Realmente apaixonante.

Na metrópole do mediterrâneo nos perdemos pelo bairro gótico, comemos comidas de várias nacionalidades, copiamos os ângulos de fotos dos asiáticos (eles são especialistas em fotos)! Caminhamos até a exaustão. Daquelas caminhadas que fazem bem a alma e para o corpo, considerando o comer sem medo de ser feliz!

À noite ainda tínhamos fôlego para uma balada de salsa. Meu amigo como exímio bailarino é o grande responsável pelo meu recente amor pela dança de salão.

Foi em Barcelona que esse amor se multiplicou e tomou novos nomes: Bachata e Kizomba. Sair para dançar nessa fantástica cidade é encontrar bailarinos angolanos, colombianos, porto-riquenhos, peruanos e até espanhóis rs! Daquelas baladas que da vontade de digitar control C e control V no Brasil!

 

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No meu último dia em Barcelona, sob um céu de um azul infinito, visitei o castelo de Montjuic e aproveitei para ter lições sobre a história da Catalunya e entender as razões que os levam a ter idéais independentistas.

Me despedi do meu amigo e segui para o terceiro  destino, Alicante, a tão falada cidade.

Foi a minha primeira viagem de trem e me senti como uma européia, sim a gente acostuma muito fácil com o que é bom!

Confesso que de Alicante, apesar das narrativas dos meus amigos, eu esperava uma cidade litorânea bonita como as muitas que temos por aqui, afinal brasileiro não se encanta fácil, somos muito exigentes!

Eu estava subestimando totalmente porque foi lá que o meu queixo realmente caiu! Pense em uma cidade com um céu azul, cercado de montanhas, com um castelo encantador, com pessoas amáveis, comida muito saborosa, transporte barato e eficiente e ainda hospedada de frente para o mar. Volto a repetir: quem tem bons amigos espanhóis, tem tudo!

Esse paraíso está situado na Comunidade Autônoma Valenciana, ao sul da Espanha, e conta com uma população de aproximadamente  332 mil pessoas.

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É nessa parte da viagem em que entendi os motivos pelos quais eu deveria ir à Espanha novamente, entre eles, a busca pela cura da ansiedade.

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Com o meu amigo alicantino, aprendi muitos conceitos de autocura, a importância da autoestima, formas alternativas de viver e conceitos de prosperidade. Também aprendi o que significa ser grata, pois serei eternamente agradecida ao meu amigo por dividir comigo seus conhecimentos e sua alegria de viver.

Com a ajuda do meu Pascual superei dois grandes medos, andar de moto e dirigir em lugares desconhecidos. Pascual genreoso me fez dirigir seu Porsche, nessa parte me senti, rica!

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Ainda em Alicante encontrei a filha do meu professor de espanhol, comi uma deliciosa paella  e conheci o lado festivo da cidade. Calçadões lotados, gente feliz, pessoas fazendo despedidas de solteiro seguindo a tradição espanhola. Impossível não se divertir.

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No último dia fomos a um vilarejo chamado Altea que mais se parece a uma Grécia miniatura. Aquela delícia lugar que se espera voltar um dia.

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Lições aprendidas, segui de ônibus até Granada esperando que o tempo parasse para que a aventura durasse mais tempo.

Essa é parte da viagem em que outro desafio seria superado: aprender a estar bem na própria companhia e me virar absolutamente sozinha com mais um sotaque diferente. Metas cumpridas com êxito!

Em Granada me hospedei em um hostel muito espanhol chamado El Andaluz hostel.  Super bem localizado e com preço de mochileiro.

Nessa parte da viagem meu inglês foi colocado à prova, fiz amizade com uma  viajante holandesa que não falava espanhol, inglês com sotaque holandes! assei no teste!

O primeiro dia foi de walking tour parte em inglês e parte espanhol, tornando o game das línguas ainda mais difícil e ao mesmo tempo divertido.

Posso dizer que Granada é daqueles lugares em que todo cantinho é tão lindo que merece uma foto.

A influência árabe me deu a sensação de estar em outro século.  A arquitetura de Alhambra e os artistas de rua contribuíram para essa experiência única.

Nesta fabulosa cidade me emocionei com a história de amor entre uma filha e uma mãe na Calle Del Beso, contemplei o por do sol sem pressa no Mirador San Nicolas. Me apaixonei pela comida marroquina e me impressionei com obras construídas em pedra.

Manuel Puga, fotografo de bodas-22

Dessa viagem tenho como resultados, uma mochileira graduada, um idioma consolidado, muitos medos superados, muitos sabores e sensações descobertas e uma única frase como certeza: volveré pronto Espana!